Festival em Guarulhos é mantido, apesar de questionamentos a desmatamento no Parque Cecap
Após uma batalha judicial e o questionamento de moradores sobre os impactos ambientais em obras no Parque Cecap, em Guarulhos, a prefeitura obteve uma decisão favorável no STF (Supremo Tribunal Federal) para realizar o Guarulhos Fest Show, evento que marca os 465 anos da cidade da Grande São Paulo.
No começo da semana, a 1ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) havia determinado a suspensão total das obras e proibiu a realização do festival.
A estrutura do evento, incluindo palco e demais equipamentos, foi montada em um terreno da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), dentro do Parque Cecap e a poucos metros dos condomínios. Com a decisão do STF, o evento começou na sexta-feira (5).
A escolha do local motivou mobilizações. No dia 15 de novembro, moradores se reuniram para discutir os impactos e organizar protestos contra a ocupação da área.
Durante os preparativos, a prefeitura realizou terraplanagem sem liberação em uma área verde próxima aos prédios, intensificando o descontentamento da população devido ao barulho constante e às mudanças abruptas no ambiente.
“Tudo começou domingo, 9 de novembro, às 5h da manhã, com muitos caminhões chegando. O barulho era enorme e ninguém sabia o que estava acontecendo”, relata uma moradora do Condomínio Sergipe, que pediu para não ter o nome revelado por receio de represália.
Achávamos que era uma obra da Sabesp, que inclusive já havia sido finalizada. Chamamos várias vezes a Polícia Militar e a GCM, mas não tivemos assistência’
Segundo ela, foram necessários três dias para que os moradores descobrissem que se tratava da construção de uma arena para o aniversário da cidade. A estrutura, totalmente aberta, estava sendo erguida a cerca de cinco metros das janelas dos apartamentos.
Outra preocupação citada pelos moradores é o impacto para animais que vivem no local, como pássaros e preás, que estão procurando refúgio no condomínio.
“Em uma semana desmataram todo o terreno, cobriram nascentes com entulho e não houve nenhum aviso. Não havia placa, nenhuma sinalização. A impressão é de que tentaram esconder o verdadeiro objetivo da obra”, relata a moradora.

Na decisão que suspendeu o festival, o desembargador Souza Meirelles apontou riscos ambientais, urbanísticos e de segurança pública. Citou a ausência de licenciamento ambiental, supressão indevida de vegetação, risco de soterramento de nascentes e forte impacto sonoro em uma região sensível, principalmente pela proximidade com o Hospital Geral de Guarulhos.
O local também é próximo a uma Fatec e de uma escola de ensino médio.