Situação da Saúde em Mogi das Cruzes ainda é marcada por longas esperas, apesar de avanços na rede municipal

A rede de saúde de Mogi das Cruzes vive um momento paradoxal: embora a prefeitura registre avanços no número de consultas, exames e mutirões realizados ao longo de 2025, a demora no atendimento continua sendo uma das queixas mais frequentes de moradores que buscam unidades básicas, serviços de especialidades ou pronto atendimento. O cenário revela um sistema em expansão, mas ainda pressionado pela alta demanda e por gargalos históricos que seguem sem solução definitiva.

De acordo com dados recentes da Secretaria Municipal de Saúde, foram realizadas mais de 196 mil consultas na atenção básica apenas no primeiro quadrimestre deste ano — um aumento expressivo em comparação ao mesmo período de 2024. A ampliação do atendimento também se reflete em programas como o Mutirão de Especialidades, com foco em áreas como dermatologia, endocrinologia e urologia, e no mutirão oftalmológico promovido junto à Santa Casa, que prevê centenas de cirurgias de catarata até dezembro. Esses esforços mostram uma tentativa clara de acelerar procedimentos represados e reduzir filas antigas que há anos impactam a rede.

Apesar disso, na prática, usuários continuam relatando atrasos significativos em diversos pontos do sistema. Em hospitais e unidades de urgência, é comum a reclamação de esperas prolongadas, inclusive em casos considerados de maior prioridade. Há relatos de pacientes que chegam com horário agendado, mas enfrentam atrasos porque a equipe médica demora a iniciar o atendimento. No Hospital Luzia de Pinho Melo, por exemplo, a demora é frequentemente listada como a principal insatisfação de quem utiliza o serviço.

Outro fator que contribui para o problema é a chamada “demanda reprimida”, acumulada ao longo de anos. Mesmo com os mutirões, especialidades como dermatologia e endocrinologia ainda registram filas numerosas. A situação se agrava no pronto atendimento: segundo a Santa Casa, grande parte das pessoas que procuram o PS não apresenta casos de urgência, o que ajuda a sobrecarregar o fluxo e atrasa quem realmente precisa de atendimento imediato.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam alguns dos motivos que sustentam esse cenário. O primeiro é o crescimento populacional: com quase meio milhão de habitantes, Mogi das Cruzes tem uma demanda elevada por serviços públicos, e a estrutura existente nem sempre cresce no mesmo ritmo. Soma-se a isso a limitação de profissionais em determinadas especialidades e falhas operacionais no agendamento e triagem, que podem aumentar o tempo de espera de forma significativa.

Embora a gestão municipal destaque que, em algumas áreas, o tempo máximo de espera tenha caído para cerca de 30 dias, e que serviços como a odontologia tenham reduzido filas de forma consistente, a percepção da população ainda é de que o atendimento demora mais do que deveria — especialmente em momentos de maior procura, como em episódios de sazonalidade de doenças respiratórias.

A situação da saúde em Mogi das Cruzes, portanto, é de avanços concretos, mas insuficientes para eliminar o problema que mais afeta o dia a dia dos usuários: a longa espera. Para superar esse desafio, será necessário manter o ritmo de investimentos, reforçar equipes, melhorar processos internos e ampliar a comunicação com a população sobre o uso adequado dos serviços de urgência. Enquanto isso não ocorre, o cidadão continua sendo o elo mais frágil de uma rede que, embora em evolução, ainda não responde plenamente às necessidades da cidade.

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